Pelotas: futuro no passado.

 

Especialização em Conservação de Patrimônio Cultural em Centros Urbanos
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brasil

Glenda Dimuro
 
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O gado foi a base da economia gaúcha durante longo período da história do Rio Grande. Introduzido pelos jesuítas, atraiu os tropeiros que vinham de São Paulo e Minas para buscar gado e levá-lo para aquelas províncias. Serviu, também, de esteio para a fixação de habitantes, na medida em que permitiu uma atividade econômica para os estancieiros que aqui se fixaram. Essa base seria ainda mais consolidada com o surgimento das charqueadas. Elas iriam produzir o charque, um produto que foi, num primeiro momento, comida essencialmente de escravos, com essa produção trariam riqueza à região de Pelotas. As charqueadas começaram a surgir em torno de 1780, quando José Pinto Martins veio para Pelotas. Anteriormente, o charque já era produzido no sul do continente, mas de maneira artesanal e em pequena escala. No entanto, uma série de secas sucessivas no Nordeste, onde estava concentrada a maior produção de charque do país, criou uma oportunidade para o produto gaúcho. E o charque começou a ser produzido em todo o país.

A iniciativa da primeira charqueada foi o marco da arrancada decisiva para o seu crescimento, pois a prosperidade do estabelecimento, favorecido pela localização, estimulou a criação de outras charqueadas, dando origem à povoação, o que demarcaria em definitivo o início da cidade de Pelotas se tornando uma espécie de "capital cultural" do Estado.